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RIO PARAÍBA
A palavra Paraíba tem recebido
conceituações diferentes, mas, que não se
contradizem entre si, ao contrário,
relacionam-se no seu sentido. Pode significar
"rio que é braço do mar". Ou, na definição de
origem indígena "rio de difícil navegação" e até
mesmo, por essa razão, na explicação tupi: "rio
mau". Isso ora devido o volume e a correnteza de
suas águas durante as enchentes; ora em razão de
estar quase vazio, apresentando bancos de areia
ou, nas marés, lamaçais, o que provocou, na
história dos naufrágios na Paraíba, um elevado
índice de naufrágios ser relatado nas
proximidades da Ilha de Restinga. Contudo, hoje
o rio pode ser considerado bastante navegável,
prestando-se otimamente para transportes
fluviais e esportes aquáticos nas diferentes
modalidades, um prazeroso local de preparo para
jogo olimpícos.
ORIGEM E PERCURSO
O Rio Paraíba é um dos orgulhos do povo
paraibano, pois nasce e morre no Estado da
Paraíba. Tem origem na Serra do Jabitacá, no
Município de Monteiro, tendo a sua mais alta
vertente nos 1.079 metros de altitude no Pico da
Bolandeira, para reunir depois os rios do Meio,
Sucuru e Umbuzeiro, tornado-se daí um leito
permanentemente largo. Equivale a uma bacia de
18.000 km² e ocupa aproximadamente 32% do
território estadual com 300 km de extensão.
Passa pelos municípios de Monteiro, Açude
Poções, Camalaú, Congo, Barra do Rio, Campo do
Velho, Caraúbas, Açude Epitácio Pessoa,
Forquilha do Rio, Cabaceiras, Boqueirão de
Carnoió, Boqueirão, Pico do Caturité, Barra de
Santana, Curimatã, Umbuzeiro, Fazenda Barra de
Natuba, Salgado de São Felix, Fazenda Alto
Pinheiros, Guarita, Itabaiana, Pilar, São Miguel
de Taipu, Cruz do Espírito Santo, Santa Rita,
Bayeux, João Pessoa e finalmente Cabedelo.
O RIO E JOSÉ LINS DO REGO
O Rio Paraíba é constantemente citado na
literatura paraibana. Obtém destaque nos
principais romances de José Lins do Rêgo, grande
romancista do ciclo da cana de açúcar, que
banhou a sua infância nas águas do Rio Paraíba,
onde viu e posteriormente descreveu as
esculturais negras e mulatas dos engenhos de seu
avô. Zé Lins sempre esteve às margens do Rio
Paraíba: ora na cidade de Pilar ora no Município
de São Miguel de Taipu ou mesmo o escritor
romancista não deixou de conviver com o Rio
Paraíba, quando fazia os seus primeiros estudos
na cidade de Itabaiana.
DESFILE DE BELEZA
O Rio Paraíba possui três trechos que nos
vislumbram paisagens de rara beleza. A primeira
é quando ele corre, na região alta, entre as
serras, passando por um vale estreito de
garganta ou canyon. O segundo é quando recebe,
nas proximidades do centro histórico de João
Pessoa, o afluente Rio Sanhauá. O terceiro é
quando na Praia do Jacaré, banhando várias
pequenas ilhas, das quais as principais são Ilha
Stuart, onde habitou uma comunidade inglesa, do
que restou um cemitério, e a Ilha da Restinga. É
nesse terceiro momento que podemos contemplar o
pôr do sol mais belo do Brasil, emoldurado pelas
águas do Rio e o verde da vegetação de suas
ilhas. Logo depois da Praia do Jacaré, o Rio
Paraíba começa a receber peixes e crustáceos que
vem do mar, fazendo-se disso sinal de que as
praias marítimas estão próximas. É após o porto
de Cabedelo que o Rio Paraíba entrega,
penosamente, as águas colhidas das escassas
chuvas da caatinga e do semi-árido à imensidão
do Oceano Atlântico.
Damião Ramos Cavalcanti
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