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História
Na Paraíba, de modo especial João Pessoa e
Cabedelo, existem inúmeros monumentos
históricos, que contam a colonização
portuguesa e todas essas lutas para a sua
fixação na região, o que sempre foi ameaçada
pelas invasões, sobretudo pelos ataques
franceses que provocaram, em 1584, na Foz do
Rio Paraíba, a construção do Forte São
Felipe.
Esses mesmos cuidados não evitaram que, em 1634,
os holandeses tomassem a região e aqui se
estabelecessem durante 20 anos, sendo
posteriormente expulsos por André Vidal de
Negreiro.
O
Forte de São Felipe está localizado em frente à
Ilha da Restinga, o que significa que as lutas e
as batalhas de defesa e ataque dos interesses da
coroa portuguesa tiveram presença importante no
Rio Paraíba, no seu trecho do nascedouro da
cidade de João Pessoa, hoje imediações do centro
histórico, até à Fortaleza de Santa Catarina em
Cabedelo. A construção do primeiro fortim de
iniciativa do general espanhol Diogo Valdez,
onde chegou com uma esquadra para combater os
franceses e alguns nativos aliados, o que foi
restaurado por Martim Leitão em 1585. Este
fortim foi, mais tarde, abandonado em razão das
forças colonizadoras terem se transferido das
margens do Rio Paraíba para o outro lado, as
margens do Oceano Atlântico em Cabedelo.
Jacarés e Hidroaviões
A
Praia do Jacaré foi sempre palco de incursões e
excursões históricas nesta região. Dela e nela
sempre se observaram as navegações de interesses
comerciais e de colonização, o que é retratado
pelo número de naufrágios ocorrido nas águas do
Rio Paraíba. Esta praia fluvial tem a sua
história interessante, nos idos dos anos 30, o
leito do rio serviu como aeroporto para peuqenos
hidro-aviões que transportavam passageiros para
portos e aeroportos maiores quando o destino era
para as grandes metrópoles e até a Europa.
Segundo os seus mais antigos nativos, chama-se
Praia do Jacaré em razão de, em época mais
remota, existir grande quantidade de jacarés nos
seus lagos e lagoas, decorrentes das águas da
maré.
O Gringo
Segundo o Gringo, a praia se chamava Praia de
Santa Maria, porém “aqui pra baixo, as lagoas
eram cheias de jacarés. Dava medo atravessar
essas águas para ir à vila ou a Cabedelo. Muita
gente foi mordida por esses bichos, o que criou
raiva nos pescadores, que decidiram matar um a
um”.
Essa é a razão do nome Praia do Jacaré, mesmo
que o próprio rio não tenha tido um só jacaré em
suas águas.
Hoje, a Praia do Jacaré tem o seu patriarca.
Denominado de estrangeiro, mas de feições e
temperamento nativos, embora as etnias as vezes
nos confundem. Ele pode ser confundido com
alguns "campesinos" da Reggio Calabria italiana
ou se parecer com algum pescador dos mares das
Ilhas Gregas. Roberto de Sousa, natural de
Ribeira, sítio do município de Santa Rita,
nascido em 25 de outubro de 1933, guarda, de
modo sábio e com poucas palavras, as informações
colhidas de outras gerações sobre este pedaço do
município de Cabedelo e também toda uma
experiência de 28 anos de pescador às margens do
Rio Paraíba.
Aos seus dois anos de idade, foi, juntamente com
o seu irmão raptado por alemães que os
carregaram para a cidade de Rio Tinto, segundo
ele, no intuito de levá-los posteriormente para
a Alemanha. Ao notar o desaparecimento dos
filhos, o pai montou no cavalo e iniciou uma
incessante busca até resgatá-los das mãos dos
seus raptores. Daí é que, a partir de então, ele
e o seu irmão, passaram a ser chamados, pela avó
e posteriormente por todos, de Gringo e Galego.
Gringo ainda conta que escutou de muita gente
ser difícil entrar na Ilha do Stuart, o que os
ingleses consideravam como sua propriedade.
Nesta ilha, duas coisas restaram notáveis: a
usina e o cemitério.
Na Praia do Jacaré, diz Gringo, “o primeiro
barco que aqui chegou para se demorar foi a de
um holandês (“Ken e Kell”) com quem fiz uma
grande amizade. A partir daí, todo barco que
chegava, numa língua estrangeira, perguntava:
onde está o Gringo?”.
Gringo testemunhou o naufrágio de muitos navios,
chegando até a mergulhar para tentar descobrir
tesouros de alguns deles. Foi quando ferido por
um peixe grande e arranhado pelos cobres do
navio afundado e quase perdendo a perna, deixou
as tentativas de exploração.
Gringo é a história da gastronomia na Praia do
Jacaré. Foi ele que “inventou bar por essas
redondezas” . Mesmo sem algum balcão, mergulhava
e trazia a pesca para fritar, já sob encomenda
do freguês para se deliciar com uns bons copos
de cachaça... Quem conheceu a Praia do Jacaré,
inevitavelmente, conhece Gringo, as suas
estórias, a sua forte personalidade e todos os
momentos de dificuldades e bonança da sua
dedicada e longa vida de pescador. Povoou a
Praia do Jacaré de filhos, netos e bisnetos e de
tanta amizade, que não cabe no seu pequeno barco
e pesa muito mais do que o maior dos arrastões.
Damião Ramos Cavalcanti
Sivuca e a Praia do Jacaré
O famoso músico paraibano, nascido na
cidade de Itabaiana, quando, no Rio de
Janeiro, trabalhava em um poema sinfônico
tendo como tema Os Sertões de Euclides da
Cunha, escreveu o seguinte depoimento sobre
a Praia do Jacaré, no Jornal do Brasil,
edição de 27 de julho de 1988, Coluna ‘Eu
conheço um lugar', Página 8 do Caderno
Viagem. Dias atrás, Sivuca tinha recebido no
Hotel Nacional, como noticiou o mesmo
jornal, “o Prêmio Sharp como arranjador de
música instrumental”.
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Praia do Jacaré
Sou paraibano de Itabaiana e há uma
praia que nunca deixo de visitar
quando vou a João Pessoa: a Praia do
Jacaré. Ela fica a cinco quilômetros
do centro da cidade, a meio caminho
para o Porto de Cabedelo, bem na foz
do Rio Sanhauá. Misturando águas do
rio e do oceano, ela é muito linda
em seus 10 quilômetros de extensão,
com areias bem brancas coalhadas por
barcos de pescadores e o mais lindo
pôr-do-sol do mundo. |
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Não é exagero meu: a Praia do Jacaré é tão
bonita que um inglês foi visitá-la há uns 20
anos e nunca mais saiu de lá. É ele quem
conserta os barcos dos pescadores e hoje é
mais paraibano do que muitos paraibanos. Da
mística do lugar fazem parte também algumas
figuras folclóricas: os que fazem discursos
políticos e os poetas loucos, mergulhados em
filosofia. Ah, que bom lembrar as
especialidades culinárias da região: o suco
de graviola com vodca, a batida de cajá e
(não sou muito chegado, mas tem quem goste)
o uísque com água de coco. Além, é claro, de
muito peixe, camarão e lagosta.
A Praia do Jacaré tem, não uma, mas várias
aldeias de pescadores e dois ou três bares.
O meu preferido (é uma pena que eu não
lembre o nome) funciona num prédio onde era
antigamente uma fábrica de gelo. O chope
gelado é sempre bem vindo, enquanto, nas
tardes ensolaradas, se aguarda quase que um
ritual: pontualmente, às 15 para as seis, a
dona do bar coloca na vitrola o Bolero , de
Ravel, e todos fazem silêncio absoluto, em
reverência ao espetáculo. Transformado em
uma bola de fogo, o sol se põe lentamente do
outro lado do rio.
A vida na Praia do Jacaré é mansa e parece
refletir a preguiça do rio, que naquela
altura, praticamente dentro do mar, se
espraia sem pressa. Da praia dá para ver a
Ilha Bela, um lugar muito bonito no meio do
rio, e do outro lado da margem a Praia de
Costinha ( nesta, costumavam antigamente
pescar baleia: felizmente isso não acontece
mais e elas podem ser vistas, vivas, ao
longe). As águas são tão mansas que o lugar
era antigamente usado para o pouso de
hidroaviões, mas isso também felizmente
acabou. Hoje a Praia do Jacaré é apenas uma
bela paisagem rústica habitada por
pescadores. Um lugar para quem, como eu,
gosta de paz. (Arquivo)
Fonte: Golfinhos Bar
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